segunda-feira, 22 de abril de 2013

DIA DO "DESCOBRIMENTO" DO BRASIL


Conheça a história do Dia do "Descobrimento" do Brasil  

  Ainda hoje, a data de 22 de abril é marcada oficialmente como o dia em que a Coroa Portuguesa anunciou o descobrimento das terras brasileiras. Durante muito tempo, esse evento de dimensões históricas foi interpretado como o resultado de uma aventura realizada por corajosos homens do mar que se lançaram ao desconhecido e encontraram uma nova terra. Contudo, apesar de empolgante, existem outras questões por trás dessa versão da história que marcou o ano de 1500.
  Mesmo antes de chegar ao Brasil, a Coroa Portuguesa estava inserida em uma acirrada disputa econômica onde os estados nacionais europeus disputavam a expansão de suas atividades mercantis. Dessa forma, cada avanço tecnológico, terra conquistada ou rota descoberta tornava-se um precioso “segredo de Estado”. Antes de sair anunciando uma conquista aos quatro ventos, os governantes daquela época avaliavam minuciosamente os interesses e circunstâncias que envolviam esse tipo de exposição.


  Uma das primeiras pistas que nos indicam esse tipo de planejamento envolvendo o "descobrimento" do Brasil se deu quando Portugal exigiu a anulação da Bula Inter Coetera e a assinatura do Tratado de Tordesilhas. Afinal de contas, por que os portugueses repentinamente chegaram à conclusão de que uma nova divisão das terras coloniais deveria ser realizada? De fato, essa é uma das muitas outras questões que fazem a versão romântica do descobrimento cair por terra.
Quando chegamos em 1500, o rei português Dom Manuel I autorizou que o navegante Pedro Álvares Cabral organizasse uma esquadra que, segundo consta, deveria aportar na Índia. Para tal propósito foi designada o uso de oito naus, três caravelas, um navio de mantimentos e uma caravela mercante. Além disso, foram convocados aproximadamente 1500 homens, incluindo capitães, tripulantes, soldados e autoridades religiosas.
  Entre esses vários participantes da viagem marítima estava o cosmógrafo Duarte Pacheco da Costa, que, segundo aponta alguns historiadores, tinha participado de uma expedição secreta que já havia chegado ao Brasil no ano de 1498. Além disso, um ano após essa sigilosa viagem, outros indícios apontam que os navegadores Américo Vespúcio e Vicente Pinzón também fizeram uma breve visita ao Brasil. Mais uma vez, fica difícil acreditar que os portugueses não sabiam o que estavam fazendo.
  Para celebrar a partida de Pedro Álvares Cabral e seus experientes auxiliares para essa viagem ao Oriente, o rei organizou uma enorme festa de comemoração que contou com a presença de espiões de outras nações mercantis da Europa. Dessa forma, nada poderia levar a crer que os dirigentes portugueses tinham outro plano, senão, circunavegar a costa africana e – assim como Vasco da Gama – realizar um novo contato comercial com os indianos.
  Contudo, mesmo estando muito bem amparada, a esquadra de Cabral “repentinamente” seguiu uma rota marítima completamente inesperada. As embarcações tomaram distância da costa africana e realizaram uma passagem pela ilha atlântica de Cabo Verde. Depois disso, seguiram uma viagem tranquila que percorreu 3600 quilômetros a oeste. Passados exatos trinta dias da passagem por Cabo Verde, os navegantes portugueses avistaram o famoso Monte Pascoal.
  Chegando ao território brasileiro, inicialmente chamado de “Vera Cruz”, o escrivão oficial, Pero Vaz de Caminha, se pôs a tecer um relato sobre as terras, mas sem citar nenhum tipo de surpresa por parte de seus companheiros. Depois do reconhecimento das terras, Pedro Álvares Cabral não fez questão de contar pessoalmente sobre a presença de “novas terras” a oeste. Ao invés disso, partiu para a Índia e mandou o navegante Gaspar Lemos oficializar a descoberta levando a carta de Pero Vaz ao rei.
  Apesar de tantas evidências justificarem a ação premeditada dos portugueses, não podemos deixar de salientar que o enfrentamento dos mares era uma tarefa de grande peso. As más condições de higiene, a falta de água e alimentos tornava a viagem um admirável desafio. Além disso, só depois da oficialização feita em 1500 é que se vivenciaram os tantos outros episódios que, ao longo dos séculos, explica a peculiar formação da nação brasileira.

Por Rainer Sousa
Mestre em História
Texto para o site do Brasil Escola

Visão brasileira

  Imaginemos a visão dos nativos que aqui habitavam ao olharem para o mar e observarem estranhas embarcações trazendo diferentes seres com pele branca, provavelmente avermelhada por causa de longo período de exposição ao sol durante o percurso, atracando às margens de suas terras. Seriam os deuses se aproximando ou demônios? Será que estariam seu povo devendo oferendas e lealdade aos deuses? Quem seriam aqueles seres que se aproximavam?
  Provavelmente quando viram os portugueses chegando se assustaram, pois sempre haviam tribos rivais tentando se sobrepor uns pelos outros. Se não fossem os deuses poderia ser uma outra tribo que vinha das águas tentando dominar suas terras.
  Nas escolas ensinavam do grande feito da Coroa Portuguesa ao chegar em terras brasileiras, realizando belas trocas de cultura entre os povos, mas quando vamos para o ensino superior percebemos que na verdade teve confronto entre os povos e que as trocas eram mais por interesses do que por aprendizagem cultural.
  Devemos sempre analisar a História como uma ciência que nos proporciona pensar os "dois lados da moeda", mostrando que muitas vezes a beleza de um acontecimento pode ser apenas o embelezamento político das esferas que se consideram "poderosas" para assim se sobressaírem como potências culturais e políticas de nível elevados.



Jéferson Cristian Guterres de Carvalho
Graduando em bacharel em História na Universidade Luterana do Brasil, campus Canoas - RS.

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